Galp e TotalEnergies Avançam com Exploração Gigante na Bacia de Orange

A parceria estratégica entre a Galp e a TotalEnergies na Namíbia entrou numa fase crucial com novos dados sobre o campo Mopane. A descoberta, considerada uma das maiores do mundo recentemente, promete transformar a economia do país até 2030.
A Bacia de Orange, ao largo da costa da Namíbia, continua a ser o centro das atenções da indústria petrolífera mundial após os recentes progressos na parceria entre a portuguesa Galp Energia e a gigante francesa TotalEnergies. No âmbito de um acordo de troca de activos finalizado recentemente, a TotalEnergies assumiu a operação do bloco PEL 83, onde se localiza o complexo Mopane, enquanto a Galp mantém uma participação relevante de 40%. Esta transição operacional é vista como um passo fundamental para acelerar o desenvolvimento de um recurso que se estima conter até 10 mil milhões de barris de equivalente de petróleo. As campanhas de perfuração realizadas pelo navio Santorini confirmaram a presença de colunas significativas de petróleo leve em reservatórios de alta qualidade, com excelentes propriedades de porosidade e permeabilidade. Especialistas do sector apontam que o campo Mopane poderá atingir um pico de produção de mais de 200.000 barris por dia em meados da próxima década. Contudo, os desafios técnicos são consideráveis, uma vez que as operações ocorrem em águas ultraprofundas, exigindo infraestruturas complexas e investimentos de capital intensivos. O governo da Namíbia, através da empresa estatal Namcor, está a trabalhar de perto com os parceiros internacionais para garantir que o quadro regulatório e fiscal seja atractivo e, ao mesmo tempo, beneficie a população local. A expectativa é que o primeiro petróleo comece a fluir em 2030, o que colocaria a Namíbia no mapa dos grandes produtores mundiais de hidrocarbonetos. Além de Mopane, outras descobertas feitas pela Shell e pela própria TotalEnergies no campo Venus reforçam a ideia de que a Bacia de Orange é a província petrolífera mais promissora do século XXI. A integração de gás associado nestas descobertas também abre portas para projectos de energia a partir de gás (gas-to-power), o que poderia resolver as necessidades energéticas internas do país e dos seus vizinhos na região da SADC. O sucesso desta cooperação luso-francesa é monitorizado atentamente pelos mercados financeiros, dado o potencial de retorno e o impacto geopolítico de uma nova fonte de energia estável na África Austral.
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